terça-feira, 20 de novembro de 2007

Annalise

Testemunho de: Sue Mansfield

"Como eu sabia que Deus tiraria Annalise de mim de qualquer forma, eu não queria perder um dia sequer que Ele me daria com ela."
14.8.1998 Quando meu sétimo filho foi diagnosticado com Anencefalia, Espinha bífida e Meningomyelocele em um exame de rotina de ultra-som às 18 semanas e 2 dias de gestação, meu marido e eu entramos em estado de choque. Após ter tido 6 filhos saudáveis, três meninas e três meninos, todos com pesos entre 3600g e 4700g, isso era a ultima coisa que esperávamos. Tínhamos como evidente que nosso sétimo bebê também nasceria saudável. Como já tenho 41 anos, a minha única preocupação era de que a criança pudesse ter a Síndrome de Down, mas nunca que seríamos confrontados com um diagnóstico sem cura. Depois de eu ter superado um pouco o primeiro choque de que o meu bebê morreria, perguntei ao técnico de ultra-som, se ele poderia me informar o sexo do bebê. Como ele supôs que eu interromperia a gravidez ele simplesmente disse: “Agora isso também não importa mais”. Eu me sentia vulnerável demais após te recebido a notícia de que meu bebê morreria e não fui capaz de exigir meus direitos. Mas como uma interrupção para mim nunca teria sido uma opção, isto para mim era muito importante. Pouco antes da 22ª semana de gestação, encontrei um ginecologista que cuidou de mim para o resto da gravidez. Em um exame de ultra-som, ele nos revelou que tinha quase certeza de que esperávamos uma menina. A partir desta noite, ela recebeu o nome Annalise Maria Therese. Até a 23ª semana eu não sentia seus movimentos, o que era muito duro para mim, já que eu sabia que ela morreria. Às vezes eu tinha a sensação, de que já carregava um bebê morto em meu ventre. Quando finalmente a senti se mexer pela primeira vez, foi como um milagre! Eu amava cada um de seus movimentos, mas os movimentos dela nunca foram tão intensivos como de seus irmãos mais velhos. Desta forma, eu não tinha dúvida nenhuma sobre o diagnóstico dos médicos. Meu ginecologista havia dito que ele tinha 99% de certeza de que ela nasceria morta e que eu teria uma chance de 60/40 de que o termo do parto seria excedido. Nossa família era muito aberta ao que acontecia durante a minha gravidez, assim ninguém ficou surpreso quando ela morreu. Recebemos muito apoio de orações de nossos amigos, parentes e da igreja. Isto nos deu muitas forças. Eram poucas as pessoas que não entendiam porque eu queria levar esta gestação adiante. Como eu sabia que Deus tiraria Annalise de mim de qualquer forma, eu não queria perder um dia sequer que Ele me daria com ela. Cada dia que passava, aproximava o dia da sua morte. Isto provavelmente era o pior de toda a situação. Eu não podia fazer mais nada a não ser dar a vida à minha filha, se Deus o permitisse. Engordei muito, mas era quase tudo líquido amniótico. Na última consulta antes da sua morte eu estava na 27ª semana, o útero, porém já tinha atingido o tamanho equivalente à 34ª semana. O problema do poliidrâmnio (acúmulo de líquido amniótico) havia começado, sem dúvida. As páginas na internet me ajudaram muito neste momento. Ler relatos de outros pais que haviam passado pela mesma situação ajudaram-me a não me sentir tão sozinha. As fotos dos bebês anencéfalos me prepararam pra a pior situação, desta maneira eu não fiquei chocada, simplesmente triste quando finalmente tive Annalise. Este é o único motivo pelo qual escrevo, na esperança de poder ajudar outros pais. Saber antecipadamente que meu bebê morreria me deu tempo de me preparar psicológica e praticamente para este acontecimento. Entrei em contato com serviços funerários, escolher a lápide etc. Desta forma, não precisava fazer isto após o nascimento, quando estaria mais vulnerável. Annalise faleceu in útero, na 27ª semana e três dias. Após não tê-la sentido um dia inteiro, fui a uma consulta. O médico confirmou o que meu coração já sabia. Quando ele me perguntou o que eu iria querer fazer, pedi para fazer mais um ultra-som, para ter 100% de certeza e para ver, qual a posição dela. Ela estava na horizontal. Depois disso, eu queria fazer a introdução de parto para que Annalise nascesse, antes que o processo de deteriorização começasse. Queríamos trazê-la ao mundo como nossa pequena filha, e não como “lixo”. No dia 13 de agosto às 16h30min foi aplicada a primeira dose de gel, a segunda às 05h00min da manhã do dia 14 de agosto. Annalise nasceu às 06h00min. Durante o parto ela havia se virado e nasceu com a cabeçinha primeiro. Ela pesava 560g a media 25,5 cm. Estava aliviada por não ter dores puerperais nem produção de leite. Nos outros partos eu precisei tomar remédios contra as dores e eu tinha amamentado todos os meus filhos, um até durante 7 meses. Seis horas após o parto levávamos Annalise conosco para casa. Tudo correu bem para meus outros filhos, que tinham entre 18anos e 22 meses. Para mim era o decurso natural, depois de ter carregado annalise durante 6 meses e meio. Ela era o nosso bebê e nós a amávamos, porque a deixaríamos no hospital ou em um necrotério até seu sepultamento? Meus filhos e todas as visitas podiam vê-la sempre, mas ninguém era obrigado a vê-la. Ela não era nenhum monstro que teria que ser escondido. Vestida com seu pagãozinho e com a toquinha ela parecia um bebê prematuro, com seus minúsculos pezinhos, dedinhos e unhinhas. Nossos filhos nunca tiveram medo dela, ficavam perto dela muitas vezes, a acariciavam e beijavam. Tiramos muitas fotos e fizemos um vídeo que serão nossos tesouros para sempre. Todos sorriam nas fotos, não queríamos lembranças tristes e sim alegres. Não carregamos muito ela, por causa da Espinha Bífida, que soltava líquido corporal. 3 dias após a sua morte fizemos a missa na igreja católica. Mais de 100 amigos e parentes vieram ao enterro, ela foi enterrada no cemitério ao lado de muitos outros bebês. Lá podemos enfeitar a sepultura com cata-ventos e brinquedos, o que fica muito bonito. Graças à minha Fé tenho certeza de encontrar Annalise após a minha morte e de que ela terá um corpo são após o renascimento. Ela era tão pura e inocente. Acredito que minha Fé me ajudou a superar a sua morte. Meu marido e meus filhos me apoiaram na minha decisão de levar a gravidez a termo. Nunca questionei isto. Uma interrupção também teria sido um exemplo horrível para meus filhos, pois teria significado que se algo não tivesse corrido bem com um deles, eu também teria abortado. Qualquer pessoa entristece quando perde seu bebê, mas pelo menos eu não tinha que me acusar de nada, pois eu não tinha matado ela. Não fumava, não bebia, não tomava nenhum remédio, não fazia nada que poderia ter prejudicado ela. Como disse meu médico, foi a vontade de Deus. Mesmo tendo perdido Annalise, sempre dizemos que preferimos ter amado e carregado-a, do que se nunca a tivéssemos gerado. Toda vida vem de Deus e ele leva embora quando o tempo está maduro. Ele sabia que meu tempo com Annalise eram 27 semanas e 5 dias. Minha Fé só cresceu com esta experiência, eu agradeço a Deus por ter carregado Annalise dentro de mim e por tê-la dado à luz, nosso pequeno anjo nos céus.

Um comentário:

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